
Penso no livro “Bichos”, de autoria de um escritor português (1907–1995) que está fazendo 117 anos de seu nascimento em 2024 — Miguel Torga. Neste livro, em especial, diz que a lei natural é inexorável. Exige consciência de cosmos antes da consciência de ser. Seu maior sonho era ser homem do seu tempo.


O escritor Miguel Torga fala de uma barcaça que ele diz construir, a exalar cheiros incalculáveis. Mas para acessá-los, segundo este escritor português, será preciso tirar os ninhos quando forem crianças.

"Um escritor não é dentro da pátria um inimigo público embuçado, mas uma prestável voz fraterna." (Diário XVI , 1990.)
Isto escreveu R. R. Levy:



UMA CONVENÇÃO DE VIDA FAVORÁVEL PARA CELEBRAR O POETA

Convenção sobre a Conservação da Vida Selvagem e dos Habitats Naturais Europa * Berna, 19.IX.1979

“O que diria Lima Barreto se vivesse agora? Desmontes de morros, buracos, extinção de parques, retalhamento de outros que ainda sobrevivem, asfalto, cimento, ferro, Metrô, ausência de arborização, aterros, praias pré-fabricadas, enfim, o artificial no lugar do natural, talvez o levasse, de fato, à loucura…”
(Lima Barreto, Escritor Maldito)
“Polar, porque me parecia que nenhuma afeição me aquecia, e turva, pois eu não via, não compreendia nada em torno de mim. Eu me comparava a um explorador das regiões árticas, que tivesse durante anos atravessado florestas lindas, cascatas, céus epinícios, lagos de anil, mares de esmeraldas, nessas paisagens mais belas da terra, as suas servências mais majestosas, e se houvesse de motu proprio atirado às banquises do pólo e se deixasse mergulhar na sua noite imensa que, para o meu caso, era infinita.”
(O cemitério dos vivos. Memórias)
"Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem."
(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Catania, 1972)

"Se bem que de todos os tempos tenham os oceanos sido centro de interesse, pois, como conta Cecília Meireles,
O alento heroico do mar tem seu polo secreto
Que os homens se sentem seduzidos e medrosos,
e que estudos fundamentais do oceano se venham acumulando desde há mais de um século, só mais recentemente tomou a oceanografia proporções que a tornam da mais alta importância no cenário científico." (Carlos Chagas Filho, O minuto que vem : reflexões sobre a ciência no mundo moderno, 2023.)

L ´homme et sa planète
Tout était là quand il est arrivé, l´eau, l´air, le soleil et la vie.
A l ´échelle de la création du monde, l´homme n´est sur Terre que depuis quelques dixièmes de secondes et déjà il s´interroge sur son avenir. En donnant l ´intelligence à l ´Homme, la Nature aurait-elle engendré son plus grand prédateur?
Le vent qui souffle, un coeur qui bat, la couleur d´une fleur... la Natureest tout ce qui échappe à la volonté de l ´Homme, et qui lui donne la vie.
Aussi, s´il ne préserve pas ces équilibres, son passage sur Terre n´aura duré que quelques secondes, et la Planète continuera de tourner, comme elle le fait depuis des milliards d´années. Ce n´est pas là Planète qui est en danger, c´est l´Homme!
Jean-Louis Etienne


l´Environnement
un défi pour le XXI siècle. In: 1994.
Paisagem polar
Do mar a imensa escuma o frio aglomerou-a,
E um mundo morto fez, sem luz, sem vegetais,
É onde do gelo duro as agulhas fatais
Rasgam do fosco céu a perpétua garoa:
Em avalanches rola a neve, e se amontoa...
Tudo estéril; e atroz confusão de infernais
Brados, imprecações, roncos, soluços e ais,
Que aos seus clarins de ferro o vento arranca, troa.
Nivoso, hirto, glacial, das brumas através,
O branco e antigo deus, pai das primevas raças,
Inteiriçado jaz, do promontório aos pés...
E a babar de volúpia, em meio à cerração,
Os ursos - colossais e formidandas massas -
Trôpegos, cá e lá, bambaleando vão...
Leconte de Lisle (1818-1894)
(In: Autor)

Edvard Hagerup Grieg (1843-1907)
"Toda vez que saia de casa deixava sobre os seus manuscritos musicais uma nota que dizia: ' Caros ladrões: por favor, não levem estes papéis...eles não têm valor para ninguém senão para mim.'. Ele estava sendo muito modesto."
"Era inspirado tanto pelas coisas norueguesas como por suas paisagens. O cheiro de um velho porto de pesca, disse ele, 'inflama a minha imaginação. Creio que há bacalhau na minha música'. " (Autor: 1959)


Esculturas de Davi Farias da Silva
@artecaboclodasilva







Cheirando um pé de pitangueira...
“Seja qual for o mecanismo do olfato, este sentido é realmente notável. Alguns sentidos humanos poderão ser substituídos pelos engenhos mecânicos, porém, o olfato nunca. Um nariz vivo jamais poderá ser substituído por alguma invenção no futuro em perspectiva. Eis porque, numa era de superlativa mecanização, um mestre-cozinheiro, um provador de chá ou um criador de perfumes têm boa probabilidade de permanecer imunes à possibilidade de desemprego por motivos tecnológicos.” (I.A, 1920-1992)
Um livro de capa cor alaranjada, bem viva, com um belo quadro retangular preto em branco, cravado pelo autor como pedra preciosa. Moldura uma monumental montanha humanizada mostra a presença de um homem acompanhando de animal de carga.
A publicação é preciosa. A escrita integral ainda mais. É uma 2°edição que encontrei na estante de livros de casa. Uma herança paterna.
Namorei esse livro, de tal modo, que a imaginação constantemente convidava a passear pelo imaginário, criando cenários de viagem em sintonia com minha existência local.
É como se eu quisesse trazer o tempo, de antigamente, em meu coração de hoje. Mas de forma artística. Um tempo precioso que custa muito. Mas como o fazer?
Cliquei. Gerando...
Não somente li, ouvi, imaginei. Eu procurei montanhas, som de pássaros e tudo mais que a inteligência artificial proporciona visualizar na minha tela pela Internet.
Veio a minha indignação: e os perfumes das montanhas, nem uma palavra, nem mesmo uma opção de busca!?
Mostra-me mais AI !
Então surge! Mensagem de uma pitangueira...
Reconhecendo que, com palavras, não se pode exprimir pelo olfato o que se sente.
Talvez a função da montanha no teu dia a dia seja insuficiente nas telas. E obviamente a todos que nunca a conheceram.
O namoro com o livro, debaixo de pitangueiras, perante o belo monumental de montanhas, quando principiam as trocas de flores, o piscar de olhos, entre os pássaros, com toda sua ingenuidade, isto é, com todos os tremas (de naïf), é um estado de não violação do equilíbrio natural.
Berna

Pedro Nava.
In: A Solidão Povoada, 1996.
"Vi numa vitrine daqui uma propaganda do Brasil, mostrando as belezas de vários Estados. Santa Catarina é representada por uma foto onde se vê um cacho de banana (na bananeira) e a Ponte Hercílio Luz ao fundo. Fiquei pensando: 'De onde teriam batido aquela foto?' Não me recordo de um pé de banana em Florianópolis. E não se trata de montagem fotográfica." (Silveira Júnior, Na ROTA DO MAYFLOWER. Vulgaridades (e coisas sérias sobre os EE.UU. 2°EDIÇÃO.
Eu vi uma placa...



